Parario 2016

Sexta-Feira, 15 de Dezembro de 2017

TERRA DE TODOS OS POVOS

IMIGRANTES JAPONESES EM SOROCABA IMIGRANTES JAPONESES EM SOROCABA
IMIGRANTES ESPANHÓIS EM SOROCABA IMIGRANTES ESPANHÓIS EM SOROCABA Parque dos Espanhóis Parque dos Espanhóis

COPA DO MUNDO 2014

IMIGRANTES EM SOROCABA

ESPANHÓIS: ALÉM PONTE

Em Sorocaba a participação dos primeiros espanhóis tinha traços bastante originais, que lhes eram típicos, como espontaneidade, paixão e alegria. O trabalho nas fábricas seguia a sua conveniência de localização. Eles trabalhavam e militavam aqui com uma grande quantidade e intensidade, nas fábricas então próximas de sua colônia: Além Ponte. A ocupação do bairro Barcelona por imigrantes espanhóis, foi da última década do séc.19 até a 1ª metade do séc.20.

Teve os seus pontos mais altos no começo do século e década de 30, em virtude da chegada das grandes levas que deixavam a Espanha em virtude das guerras no Norte da África (Marrocos) e da Guerra Civil Espanhola. A colônia sobreviveu aqui plantando cebola, colhendo laranja e cultivando hortas no alto dos morros. O pai espanhol ficava sempre na lavoura ou no comércio de frutas e legumes, enquanto que as mulheres e filhos em indústrias daquela época.

INGLESES: KENWORTHY

Em 1872, o recenseamento registrou em Sorocaba a presença de 4 cidadãos ingleses, que vieram trabalhar como técnicos têxteis. O primeiro foi o ítalo-inglês Alexandre Marchisio, contratrato então para implantar máquinas na Nossa Senhora da Ponte (1882). Outro britânico que aqui se destacou foi Francisco Speers que com o alemão Jorge Oetterer fundou a indústria Santa Rosália. Com a guerra da Secessão vieram máquinas e tecnologias de produção inglesas.

O inglês John Kenworthy foi um industrial bem à frente do seu tempo. Em 1903, comprou a Fábrica Santa Maria em sociedade com seu filho Alberto e 3 genros. Cinco anos depois construiu a Fábrica São Paulo, que passou a estampar tecidos produzidos na primeira. Ao mesmo tempo, estruturou a Companhia Nacional de Estamparia e adquiriu controle acionário da Fábrica Santa Rosália. Criou assim as bases estruturais e legais de um conglomerado têxtil.

PORTUGUESES: IGNÁCIO

Antonio Pereira Ignácio nasceu em Baltar, distrito de Porto, em 1875, chegando aqui em Sorocaba em meados de 1886. Em 1905, funda a fábrica de óleo de algodão “Santa Helena”, na Rua Álvaro Soares. Sempre procurando novas tecnologias, visita pessoalmente em 1906 os Estados Unidos, indo para Birmighan no Alabama, aonde adquire então da gigante Continental Gin Company, as suas máquinas de última geração para alta ampliação da sua fábrica de óleo.

Em 1915, adquiriu a Companhia Telefônica Sul Paulista. Com sua experiência empresarial, trouxe a central para Sorocaba (rua Padre Luiz), aprimorando aí a primeira rede telefônica da cidade. Em 1925, casou a filha Helena com José Ermírio de Moraes. Na década de 30, a Fábrica Votorantim que deu origem ao grupo era só uma das empresas do patrimônio. Benfeitor, teve reconhecido seu valor e foi condecorado pelo Governo Português com o título de Comendador.

SUECO E ALEMÃO

Em 1811, a partir de política desenvolvida pela chegada da família real ao Brasil, é fundada a Real Fábrica de Ferro de São João do Ipanema. Foi incumbido ao sueco Carl Gustav Hedberg a chefia do Estabelecimento Montanístico de Minas de Ferro de Sorocaba. Esse sueco efetuou construções de porte: pontes, represa do Rio Ipanema e rodas d’água. Foi substituído por Frederico Guilherme Varnhagem, engenheiro alemão, que fez 2 altos fornos pelos novos sistemas de corrida de ferro.

Em 1º de novembro de 1818 foi Varnhagem que conseguiu a primeira corrida de ferro (ferro liquefeito) no Brasil, pelo seu sistema. A Real Fábrica de Ferro foi a responsável ainda pela produção de armas brancas durante a Guerra do Paraguai. Antes, em 1842, o diretor da fábrica, Major João Bloem, fundiu canhões que foram emprestados aos revolucionários liberais e hoje fazem parte do conjunto de monumentos da Praça Artur Farjado no Largo do Canhão.

ITALIANOS: SCARPA

A história da família Scarpa começa em 1885, quando chegaram o italiano Francisco Scarpa e seu filho Nicolau. Inicialmente, montaram um armazém de secos e molhados na rua Coronel Benedito Pires. Em seguida, compraram um grande solar na rua Padre Luiz e na parte superior, morava a família. O térreo foi destinado para os negócios: compra e venda de algodão. A primeira firma da família foi Scarpa & Filho. Em 1916, Nicolau comprou a fábrica de tecido Nossa Senhora da Ponte.

Na década de 20, doou a construção do pavilhão central da Santa Casa de Misericórdia. Nos anos 50, atendendo ao pedido do bispo Dom José Carlos de Aguirre, a família construiu as instalações da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, no bairro Trujillo, que foi embrião da Universidade de Sorocaba. Também ajudaram a construir a Faculdade de Medicina de Sorocaba, doando então seu Laboratório de Patologia. O gosto pelo empreendedorismo atravessou gerações da família italiana.

MASCATES ÁRABES

Cidadãos jovens, ousados e com um grande talento para os negócios, foram os árabes que deram origem á palavra “mascate”, significando aquele vendedor que oferece suas mercadorias, de casa em casa. Mascate, originalmente, era o nome da capital de Omã na península arábica. A pé ou em lombo de mulas, os mascates no Brasil levavam malas ou bruacas com jóias, tecidos, aviamentos, calçados, pentes, espelhos e miudezas. É notório o talento comercial árabe.

Sorocaba, reduto da comunidade sírio-libanesa por causa de sua tradição comercial, já teve muitos mascates nas décadas iniciais do século 20, como Antonio Athiê, cujos filhos até hoje tem as lojas no centro, com uma delas (A Econômica da Barão) completando 77 anos. Outros mascates ficaram famosos por aqui, como os libaneses Francis Lauand Rachid e Josephe Amary, esse último pai do prefeito Renato, que depois teve suas 2 lojas: O Rei das Sedas e Paraíso das Noivas.

IMIGRAÇÃO JAPONESA

Em 1918 veio para Sorocaba o primeiro imigrante japonês, Nabek Shirama, proveniente da região de Okinawa e o único da tripulação original do Kasato Maru de 1908. Em 1933, havia 11 famílias em Sorocaba que se mantinham da agricultura e em 1944 eram 33 famílias dedicando-se a plantio de batatas, tomates e hortaliças, além do comércio local (lavanderias, bares, pastelarias e vendas agrícolas). Durante a 2ª Guerra Mundial, muitas famílias nipônicas vieram para cá.

Em 1949, existia em Sorocaba 146 famílias (100 na zona rural). Na década de 1950, a comunidade Nikkei abandonou o seu espírito Dekassegui (obter dinheiro para voltar ao Japão) e começa a criar raízes em Sorocaba. Em 1954 a cidade ganhava da colônia japonesa o seu primeiro presente, pela passagem dos 300 anos de sua fundação: a torre do relógio junto ao Mercado Municipal. Hoje esta colônia na cidade é representativa, nos âmbitos político, social, econômico e cultural.

MIGRANTES NORDESTINOS

Sorocaba já começou a figurar como terra prometida para os nordestinos desde meados de 1940, quando o também nordestino Severino Pereira comprou a indústria Cianê, que chegou a possuir 5 unidades e empregar mais de 10 mil pessoas. A maior parte de seus trabalhadores era nordestino, porque Severino primava pelo seu povo e abriu a porta aos recém chegados. Com ele à frente das empresas, era difícil ficar sem emprego e cada vez maior o número de migrantes.

Para homenagear os migrantes, em 2003 a Câmara de Vereadores de Sorocaba promulgou a Lei que instituiu o Dia das Tradições Nordestinas. A data foi instituída para homenagear cerca de 150 mil pessoas, entre migrantes nordestinos e seus descendentes que existem na cidade, segundo o CCTN (Centro Cultural de Tradições Nordestinas). O contingente foi calculado com um levantamento das famílias que chegaram nos últimos 60 anos: é 25% da população local.

HABITANTES CHINESES

É cada vez maior a presença de novos habitantes sorocabanos de origem chinesa. O Espaço Tai Chi realizou o "Dia da China em Sorocaba". Autorizado pelo Templo Xing Yi Chun Tao Temple, o evento revelou ao público os segredos e benefícios da acupuntura, da meditação Tchi Kung, do Tai Chi Chuan e da massagem Tui Na. Essas quatro práticas, pilares do equilíbrio, da saúde e da longevidade chinesa, foram mostradas em ampla programação.

O evento foi aberto com uma cerimônia Taoista e na seqüência aula aberta de Tai Chi Pai Lin, com o público assistindo as palestras “Feng Chui” e "Longevidade, Tai Chi e Acupuntura". A “Filosofia Chinesa" esteve no centro das atividades. Este local se dedica a divulgar a Arte Oriental como um todo. Tem programação como origami, ikebana, bonsai, filmes sobre a vida de mestre Liu Pai Lin, quadros porcelana e roupas, além de um espaço para meditação.

IMIGRANTES ITALIANOS EM SOROCABA IMIGRANTES ITALIANOS EM SOROCABA

Em Sorocaba, o ponto de partida para os negócios de Francesco Matarazzo foi uma venda e já em seguida uma fabriqueta de fundo de quintal, onde ele produzia banha. Inicialmente seu produto era embalado em barris de madeira. Foi nesta região também que Matarazzo fez grandes compras de algodão, para revender à indústria de tecidos. Indo para São Paulo 10 anos depois de chegar, expandiu o grupo empresarial produzindo desde fósforo ao moinho de trigo.

Chegou a ter 365 indústrias com faturamento maior que o do próprio Estado de São Paulo. Aqui na década de 20, fez as maiores doações para as obras de reforma da Igreja Catedral. Também nas comemorações do terceiro centenário de Sorocaba (1954), a família Matarazzo presenteou os sorocabanos com o monumento em bronze exposto na atual Praça dos Tropeiros. O Conde jamais esqueceu os próprios operários, principalmente aqueles da primeira fábrica de banha.

Palacete Scarpa Palacete Scarpa